Apontamentos sobre experiências pessoais com o perfume Paper Plans da Le botanic (contratipo inspirado em L’Eau Papier Diptyque).
Como participante do Programa de Associados da Amazon, afiliada Mercado Livre e Shopee, sou remunerada pelas compras qualificadas efetuadas.
Comprei o perfume Paper Plans da Le botanic no início do ano.
Posso dizer que o usei umas tantas vezes.
Mas, como revezo bastante meus “cheiros”, depois de um tempo, acabei deixando o frasquinho de lado.
Aí, com o período de repouso, veio a mutação. O negócio macerou estratosfericamente.
Já levei sustos-de-potência com outros perfumes da Le botanic (é muito comum que fiquem mais intensos com o tempo). Mas, sei lá, acho que pelas notas do Paper Plans, não esperava que a fragrância se agigantasse tanto.
Descobri sua “nova fase” ao fazer uma experiência.
Bobinha, resolvi testá-lo num momento pós-banho, naqueles climinhas de puro aconchego.
Vê só: eu havia usado uns produtos da Keune (da linha Absolute Volume, que tem um cheirinho bem fofo e tranquilo) com o firme propósito de preparar meu espírito para o estado zen.
Depois, usei hidratante Carioca da Granado e borrifei também o eau de toilette da linha.
Com o combo, estava levitante. Um amor de pessoa.
Aí eu pensei “mas e se eu adicionasse um veneninho nesta equação?”.
A ideia era só acrescentar um ponto-e-vírgula mesmo. Um toque discreto que deixasse minha identidade perfumística sutilmente menos gente-boa, com aquele quêzinho gostoso de dúvida sobre intenções.
Me ocorreu que o Paper Plans cumpriria bem essa função.
Porém, as duas ligeiras borrifadas que lancei aos pulsos não quiseram saber de participação especial.
Paper Plans se impôs. Varreu toda singela meiguice. Transformou Rute em Raquel.
Porque — e aqui vamos começar a falar sobre a personalidade do perfume — o contratipo do L’Eau Papier Diptyque da Le botanic não quer saber de camaradagem fácil ou fofura almiscarada. Ele é pura incógnita.
Quando usei o Paper Plans Le botanic no verão, percebi o mesmo caminho olfativo que sinto agora.
Ou seja, não posso dizer que o perfume se alterou, no sentido de soar diferente.
O que ocorre é que, agora, ele parece ter atingido a maturidade. Está no ápice de sua performance.
Apesar da intensidade, não o vejo como desequilibrado.
Mesmo fixando por horas (passei ele à noite e, na tarde do dia seguinte, ainda o sentia presente), não ficou um perfume cansativo.
Para quem valoriza perfumes que exalam bem, o Paper Plans também irá agradar.
Mas, vou enfatizar: não é uma fragrância que nasceu para arrancar elogios banais ou virar assinatura despretensiosa.
Portanto, se você for fazer uma compra às cegas e quiser ficar num território seguro, penso que Paper Plans não é sua melhor opção.
Creio que a proposta da Le botanic, nesta criação, é instigar apetites olfativos que se atrevam ao incomum.
Boa deixa para falar sobre a similaridade do contratipo Le botanic e sua musa inspiradora — a fragrância L’Eau Papier de Diptyque.
Lamento demais, mas desconheço a fragrância matriz.
No entanto, vi muitos enamorados de Diptyque tecendo comparações.
Para os grandes fãs, há indiscutíveis distâncias entre o perfume de referência e o inspirado lebotânico.
Particularmente, penso que diferenças não significam, necessariamente, uma lástima. Gosto de contratipos que propõem interpretações.
Às vezes, uma versão autêntica pode apresentar um lado B da fragrância. E acho que esse pode ser o caso do Paper Plans em relação ao L’Eau Papier.
Por isso, considero que aqui, mais do que uma tentativa de dupe, temos uma legítima releitura. É uma criação da Le botanic que pode referir Diptyque, mas o faz com linguagem e humor próprios.
Conheço outras duas obras perfumísticas inspiradas no L’Eau Papier — o perfume Le Papier da Ohana Kameala e o Papeterie da Sousou.
Percebo semelhanças entre ambas e creio que agradarão mais quem busca ares de distinção delicada.
Enquanto Paper Plans evoca sensação prata, Papeterie e Le Papier sussurram um amarelo de pétalas miúdas.
Se lembram papel, Le botanic é a face cortante, enquanto Sousou e Ohana Kameala remetem à graciosidade de um papel de carta.
Paper Plans está nas páginas de uma ficção científica noir. Já Le Papier e Papeterie adornam os gestos esguios da bailarina.
A primeira versão que conheci foi o Papeterie da Sousou e fiquei doida no perfume. Uma vontade de ser aquela fragrância, de morar naquele cheiro. Uma ambição pra vida.
E ele vai muito mais na vibe do Carioca da Granado e cheirinhos da Keune do que a versão da Le botanic.
(De forma alguma se parece com o Carioca ou cosméticos da Keune. Mas orbita uma mesma personalidade, sabe?).
Talvez, pudesse ter sucesso promovendo layering de Granado, Keune e Sousou, já que dialogam no mesmo idioma.
Mas quando optei pela versão do L’Eau Papier da Le botanic, não foi à toa. Eu queria o caráter desviante. Só não esperava que ele fosse capaz de alterar a trajetória de todo o combo!
Então, vamos a algumas possibilidades.
Definitivamente, prefira a versão da Ohana Kameala ou a da Sousou se quiser um perfume que transmita bem-estar-na-própria-pele, sendo altivo, mas também amigável.
O Paper Plans exercita uma altivez quase pedante. Não se preocupa em ser decifrado por narizes alheios. Antes o contrário: quer gerar interrogações.
Vejo o Paper Plans como a fragrância que você usa para ganhar discussões sem ter que abrir a boca. Equivale a um olhar de Miranda.
Ninguém sabe o que esperar de uma pessoa que usa um perfume desses. Ele causa estranheza. Curiosidade. Um fascínio pelo não-familiar.
Sabe aquelas situações em que vale a máxima “se não pode vencê-los, confunda-os”? Então. Paper Plans é o que você deve vestir.

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